Opinião: Mais volatilidade adiante

Por Arnaldo Luiz Corrêa – gestor de riscos em commodities agrícolas, especializado no setor sucroalcooleiro, e diretor da Archer Consulting.

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana em queda de 49 pontos no vencimento maio/2016 que encerrou a sexta-feira negociado a 14.69 centavos de dólar por libra-peso, um fechamento até que auspicioso se levarmos em consideração que se recuperou 46 pontos no pregão do mesmo dia após ter negociado a 14.23 centavos de dólar por libra-peso. Poderá haver uma reversão? Ainda é confusa a situação. Ocorre que, como dissemos na semana passada, a posição comprada dos fundos indicara que eles estavam ainda mais comprados num mercado descendente, fato que acabou desencadeando um volume expressivo de liquidação de posições que levou o mercado de açúcar em NY para o nível de 14.23 centavos de dólar por libra-peso, uma desvalorização que acumulou 250 pontos de baixa em apenas 11 sessões e 95 pontos apenas na última.

No entanto, pela posição dos fundos divulgada na sexta-feira, com base nos negócios feitos até a terça anterior, eles continuam bem comprados em 206.000 lotes. Acredito que esse número mostra que o mercado futuro em NY ainda estará muito suscetível às oscilações que ocorreram ao sabor de fatores exógenos (petróleo, real, crise política) e aos números de moagem e às pressões por caixa nesse início de safra. Aperte os cintos porque a volatilidade deverá aumentar. Principalmente porque na semana que vem ocorre o vencimento das opções de maio. As posições em aberto das opções nos preços de exercício mais próximos ao mercado correm o risco de exercício: as de 13.50 a 14.50 centavos de dólar por libra-peso para as puts e as de 15.00 a 16.00 para as calls. Elas somam 42.000 para as puts e 40.000 para as calls. Pode ser uma semana bem “divertida”.

A queda de preços no vencimento maio é porque o mercado sentiu o baque do que um trader de uma usina chamou de “cisne negro do etanol”, ou seja, ninguém poderia imaginar que os preços do hidratado fossem despencar com a velocidade e magnitude ocorridas.

Em três semanas o etanol hidratado passou de R$ 1.9500 para R$ 1.6000, enquanto na bomba o preço teve pouca alteração. Quem está ganhando muito dinheiro com o etanol são as distribuidoras e os revendedores. A diferença bruta entre o preço na bomba e o índice ESALQ alcançou seu pico em 2 de abril, segundo apuração de um trader de uma multinacional, de R$ 1,1000 por litro. A margem bruta da distribuidora é recorde com mais de R$ 0,7000 por litro. O posto fica com R$ 0,4000 por litro. E o produtor fica chupando o dedo.

O governo tentou, mas não conseguiu, abaixar o preço da gasolina para ver se engana uma vez mais os incautos que ainda acreditam nessa súcia que está no poder. Argumentaram que o preço está acima do mercado internacional. O pior é quando a mídia embarca nessa teoria.

Existe uma enorme desinformação que corre o mercado acerca do preço da gasolina no Brasil comparado com o preço internacional. Um jornal televisivo disse que a gasolina no Brasil está 40% mais cara que o preço internacional. Não sei de onde esses caras pegam essas informações.

Podemos checar duas fontes: primeira o preço de realização na refinaria, que é o preço da gasolina importada com os devidos custos de frete e internação do produto, antes dos impostos. Esse valor hoje é de R$ 1,5370 por litro enquanto o mercado internacional mostra R$ 1,5030 por litro. Ou seja, quando muito, o preço está 2% acima do mercado internacional. Lembrando que esse valor não tem impostos, frete até a refinaria, margem de revenda, etc. A segunda, é comparar o preço médio internacional da gasolina com o valor para o consumidor no posto de abastecimento. Esse valor é hoje de R$ 0.99 por litro, ou seja R$ 3,66 por litro, muito em linha com o mercado. De onde vem essa propalada defasagem de 40%, não faço ideia.

O mercado físico de açúcar para a exportação continua bem fraco, especialmente para o VHP. Os spreads – termômetros que mostram o quão preocupado está o mercado com a disponibilidade imediata do produto – indicam que há confiança que haverá açúcar para todo mundo. Os spreads maio/julho, julho/outubro e outubro/março apresentam carrego de 6-8% ao ano em dólar, isto é, dá-se cada vez mais desconto para quem levar o produto agora.

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