Estoques de suco de laranja seguem para níveis baixos

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Caso a demanda seja mantida, reservas da bebida podem chegar em junho de 2017 com 2,06 mil toneladas, uma retração brusca de 99% ante as atuais 351,56 mil toneladas disponíveis no setor

O Brasil, líder no ranking global de produção e exportação de suco de laranja, está prestes a atingir o menor nível de estoques de passagem já registrado, em 2017, por baixa oferta de matéria-prima.

Ontem, a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) informou que, no último dia 30 de junho, haviam 351,56 mil toneladas de reservas do produto para a transição entre as safras de 2015/2016 e 2016/ 2017. O volume é 31% menor que as 510,39 mil toneladas referentes ao mesmo período do ciclo anterior.

Além das pragas e doenças nas lavouras, como o greening, um período de temperaturas elevadas, ainda no ano passado, acarretou a quebra de 18% na colheita de 2016/2017, comparada ao resultado da temporada passada, segundo o coordenador da pesquisa de estimativa de safra do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), Vinícius Trombini.

Caso as demandas interna e externa sejam mantidas, o dia 30 de junho de 2017 promete um volume médio de 2,06 mil toneladas de suco em estoque, uma queda brusca de 99%.

“Vamos viver uma situação que ainda não foi vivida. Entre os meses de maio e julho do ano que vem, estaremos quase sem suco disponível”, projeta o diretor executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto.

O executivo destaca que esta é a menor safra em 28 anos e, na hipótese de perda de market share, pode haver migração do consumo para sucos de outros sabores.

Devido a condições climáticas adversas, a associação – que representa as principais companhias brasileiras do setor, como Cutrale, Citrosuco e Louis Dreyfus – estima um rendimento industrial médio de 291,8 caixas necessárias para a fabricação de uma tonelada de FCOJ equivalente o que, se confirmado, será o segundo pior resultado da história. Dessa forma, a produção total de suco deve alcançar apenas 708,5 mil toneladas no período, 18,1% menos que na safra anterior.

Reflexos

O produtor e presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga (SP), Marco Antônio dos Santos, acredita que a redução na colheita tende a equilibrar o mercado e trazer preços mais atrativos aos citricultores.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), na semana passada, a laranja-pêra estava sendo negociada no mercado spot entre R$ 20 e R$ 21 por caixa de 40,8 quilos e as precoces, que estão em fase de colheita, a R$ 18 por caixa – para ambas, os valores incluem frete até a indústria.

Santos, que também é ex-presidente da Câmara Setorial da Citricultura, lembra que as vendas antecipadas por contrato tiveram os preços fixados em torno de R$ 16 por caixa, visto que a maior parte das negociações tem vigência para este ano.

“Teremos um bom ajuste na safra de 2016/2017, que será paga em 2018. A modalidade de venda vai depender da situação de cada um, mas a indústria também tem a possibilidade de firmar bons contratos”, avalia Santos.

Porém, até o momento, a tendência de melhor remuneração não deve se refletir em investimentos ou melhoria da oferta no campo, pelo menos no curto prazo.

“As temperaturas elevadas vieram na época de formação da fruta. Tivemos perdas significativas. Se esses preços se mantiverem por mais dois ou três anos, você vai ver uma certa recuperação [na lavoura]”, diz o presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), Flávio Viegas.

Trombini, do Fundecitrus, destaca que a incidência de chuvas entre os meses de outubro de 2015 e janeiro deste ano impediu que as plantas entrassem em estresse hídrico e dessem uma nova florada, que poderia minimizar parte dos prejuízos provenientes da estiagem.

Atualmente, a CitrusBR promove uma campanha publicitária de fomento ao consumo de sucos brasileiros no mercado europeu, principal gerador de demanda no segmento, iniciada em 2015. Netto comenta que a recomposição na oferta pode vir justamente no momento em que a campanha estiver mais madura, pronta para ser convertida em frutos, ou melhor, em exportações.

Fonte: DCI – Portal Abras (Associação Brasileira de Supermercados)